terça-feira, 28 de abril de 2015

AMNESTY INTERNATIONAL // 50 years

A biblioteca recomenda - Maio



Dizia o ensaísta António Sérgio em 1940 que ninguém fala de corda em casa de enforcado. Por isso não se deve falar de Dâmaso Salcede, uma das personagens mais interessantes de "Os Maias" de Eça de Queiroz, a Obra que a biblioteca recomenda para maio. Ei-lo na imagem, Dâmaso em todo o seu explendor!


Venha descobri-lo em "Os Maias" e perceberá porque esta é uma das obras primas da literatura europeia.
E o Eusebiozinho? Ui ui o que vai praí! E Afonso da Maia, haverá algum?? Quem ler (ou reler...) "Os Maias" compreenderá melhor o Portugal de hoje. E haverá alguém que o compreenda?!




1º de maio - Dia do trabalho




O dia do trabalho é comemorado em 1 de maio.
Em vários países do mundo é feriado nacional e em muitos outros é um dia de tristeza pois neles falta a liberdade que tanto prezamos.
A história deste dia remonta a 1886 na cidade de Chicago. Nesse dia e local, milhares de trabalhadores saíram às ruas para reinvindicar a redução do horário diário de trabalho de TREZE para OITO horas. Essa manifestação foi violentamente reprimida pela polícia tendo morrido diversas pessoas nesses confrontos.
Para homenagear os que morreram e celebrar o valor do trabalho criou-se o Dia Internacional do trabalho que se comemora desde 1889.
Em 1 de maio de 1975, após a revolução de abril, ocorreu uma grandiosa manifestação, uma das maiores de sempre, celebrando a liberdade recentemente  conquistada (na imagem pode ver-se essa manifestação na cidade do Porto).




Numa altura em que há tanto desemprego, parece bem importante celebrar o valor do trabalho e a liberdade para o fazer!



segunda-feira, 27 de abril de 2015

Mostra de trabalhos de Oficina de Artes

Mostra de trabalhos de reciclagem de papel de jornal e de revista, feitos pelos alunos dos 7º e 8ºs anos na disciplina de Of. Artes da professora Lúcia Viana e em exposição na Biblioteca da Júlio Dinis.
 Com este material, papel, pretendeu-se dar forma e tridimensionalidade à matéria recriando: cestos, porta guardanapos, vasos, suportes para tachos, animais, relógios e outros.
Em evidência a criatividade dos nossos alunos!







segunda-feira, 20 de abril de 2015

Astérix - O pesadelo de Obélix
Editora:  Meriberica

"ESTÚPIDO! IMBECIL! IDIOTA!!

é deste modo tão pacífico e calmo que se inicia  "O Pesadelo de Obélix" que recomendamos vivamente!
Goscinny e Uderzo em mais uma história entre romanos , gauleses, discussões, tareias e muita animação! 
Será desta que os Romanos conseguem derrotar a única aldeia irredutível ao seu poder?

Será desta que a história não termina com mais um banquete com javali e muita animação?








terça-feira, 7 de abril de 2015

A biblioteca recomenda - Abril

"A mulher que prendeu a chuva e outras histórias" de Teolinda Gersão

Site oficial


Sextante Editora
Prémio Máxima da literatura
Prémio Fundação Inês de Castro

O livro reune 14 contos que partem da vida quotidiana mas se abrem insensivelmente a outros mundos, de todos nós, e onde todos habitamos.

"Corria para a frente, na noite, no dorso de um cavalo enlouquecido, que me arrastava, para nenhum lugar.Não havia pontos de referência na paisagem, cavalgávamos à desfilada, depressa, cada vez mais depressa, e no entanto sem avançar no espaço. Desapareceu o espaço, e também o tempo, a noção de tempo? interroguei-me. Não sabia onde estava e recordava-me só vagamente do meu nome. Mas não esquecera o teu. "



terça-feira, 24 de março de 2015

Morreu Herberto Helder

Os Animais Carnívoros
Dava pelo nome muito estrangeiro de Amor, era preciso chamá-lo
sem voz - difundia uma colorida multiplicação de mãos, e aparecia
depois todo nu escutando-se a si mesmo, e fazia de estátua durante um
parque inteiro, de repente voltava-se e acontecera um crime, os jornais
diziam, ele vinha em estado completo de fotografia embriagada, desco-
bria-se sangue, a vítima caminhava com uma pêra na mão, a boca estava
impressa na doçura intransponível da pêra, e depois já se não sabia o
que fazer, ele era belo muito, daquela espécie de beleza repentina e
urgente, inspirava a mais terrível acção do louvor, mas vinha comer às
nossas mãos, e bastava que tivéssemos muito silêncio para isso, e então
os dias cruzavam-se uns pelos outros e no meio habitava uma montanha
intensa, e mais tarde às noites trocavam-se e no meio o que existia agora
era uma plantação de espelhos, o Amor aparecia e desaparecia em todos
eles, e tínhamos de ficar imóveis e sem compreender, porque ele era
uma criança assassina e andava pela terra com as suas camisas brancas
abertas, as suas camisas negras e vermelhas todas desabotoadas.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Ler para recriar _Livros em festa!


LIVROS EM FESTA

Convite aos encarregados de educação:

As bibliotecas do Agrupamento de Escolas de Ovar Sul vão organizar uma atividade, no parque urbano de Ovar, no dia 23 de maio. Chama-se "Livros em festa" e a participação de todos é fundamental.
Haverá muitas atividades, nomeadamente um circuito pedestre (de manhã) e teatro, dança, música, exposições e muita animação (tarde e noite).
Contamos com a presença de todos nesta festa!


terça-feira, 17 de março de 2015

Poema do dia - Poema em linha reta













Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado
[sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe — todos eles príncipes — na vida…








Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos — mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
Fernando Pessoa